Universo Cinematográfico Marvel – A Construção de uma nova era para os super-heróis

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Há mais de 10 anos se iniciou o Universo Cinematográfico da Marvel (UCM ou MCU em inglês). Algo inédito no cinema que, no início, muitos não entenderam muito bem como isso funcionaria. Mas, para os fãs de quadrinhos,aquilo não passava de algo simplesmente fantástico, pois os crossovers (termo usado para algo que se mistura), são comuns nos quadrinhos. É completamente normal o Homem-Aranha interagir com outros super-heróis, mas no cinema isso não era nada comum, pois os filmes de super-heróis antes disso, eram focados apenas em um super-herói, e não em uma equipe como Os Vingadores. Para sabermos melhor como isso aconteceu, vamos voltar para o ano de 2005. 

Antes do Homem de Ferro

A Marvel Entertainment iniciou o projeto para produzir seus próprios filmes em 2005 junto com a Paramount Pictures. Antes disso, a Marvel coproduziu alguns filmes de super-heróis com a Sony Pictures e Fox; pois os direitos cinematográficos dos seus personagens foram vendidos para vários estúdios de cinema nos anos 90, para evitar uma provável falência. Com esses filmes e acordos de licenciamento para os estúdios, a Marvel não fez tanto lucro e queria obter maior receita com os filmes de seus personagens, mantendo o controle artístico e a distribuição. Sendo assim, Avi Arad, diretor da divisão de filmes na época, e Kevin Feige, o segundo em comando na época, formaram a Marvel Studios, um estúdio de filmes independentes.
Com diversos outros personagens na mão, Kevin Feige percebeu que alguns desses personagens eram membros-chave dos Vingadores. O autoproclamado “fan-boy”, imaginou então a criação de um universo compartilhado, assim como os criadores Stan Lee e Jack Kirby tinham feito com os quadrinhos: um mundo onde os super-heróis interagiam entre si e até mesmo lutavam juntos em batalhas. O plano era realizar filmes individuais de seus personagens principais e, futuramente, juntá-los em um filme crossover. Avi Arad, que duvidou da estratégia e insistiu que foi a sua reputação que ajudou a garantir o financiamento inicial de 525 milhões de dólares para o estúdio, renunciou a posição em 2006, durante a produção do primeiro filme do estúdio: Homem de Ferro. Assim, Kevin Feige foi nomeado chefe da Marvel Studios em 2007, além de estabelecer a criação de um comitê criativo formado por 6 pessoas familiarizadas com a cultura e tradição dos quadrinhos, incluindo o próprio Feige, para conduzir a continuidade narrativa compartilhada dos filmes, formando o Marvel Cinematic Universe.

 

Construindo um Universo – A Iniciativa Vingadores

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O primeiro filme do Homem de Ferro tem uma importância ímpar na consolidação do Universo Cinematográfico da Marvel. Mas, desde os anos 90 diversos estúdios tentaram fazer um filme do bilionário Tony Stark. Os direitos do Homem de Ferro passaram pela Fox, Universal e até a New Line Cinema, hoje fundida com a Warner Bros. Tony Stark já teve alguns pretendentes como Nicolas Cage, que se interessou em interpretar o personagem em 1997 com a compra dos direitos pela Fox. No ano seguinte, foi a vez de Tom Cruise expressar interesse para produzir e estrelar o filme. No mesmo ano, 1998, uma história para o filme foi escrita por Jeff Vintar e Stan Lee. Em 1999 um novo roteirista foi contratado para re-escrever a história e Quentin Tarantino (sim, ele) foi abordado para escrever e dirigir o filme. Pois é.

Depois disso foi a vez da New Line Cinema tentar um filme do bilionário Tony Stark, comprando os direitos da Universal no ano 2000. Depois de um roteiro que envolvia o Homem de Ferro contra seu pai, Howard Stark, que se tornaria o Máquina de Combate, várias tentativas de encontrar um diretor que aceitasse o projeto e de alguns anos malsucedidos de desenvolvimento, a New Line devolveu os direitos cinematográficos do personagem para a Marvel. A partir daí, em 2005 a Marvel resolveu desenvolver o filme do zero, anunciando Homem de Ferro como seu primeiro filme independente que iniciaria a chamada Iniciativa Vingadores, como pudemos ver na cena pós créditos do filme com Nick Fury abordando Tony Stark em sua mansão.

Apesar do sucesso, o filme era considerado um risco, pois o personagem não era tão popular como outros nomes da Marvel, como o Homem-Aranha e os X-Men por exemplo. Fora o tempo que outros estúdios tentaram produzir um filme do Homem de Ferro por anos e não conseguiram, seja por problemas no roteiro ou por questões criativas com diretores e roteiristas. Tendo o Homem de Ferro nas mãos, a Marvel assumiu um risco ao apresentar o personagem para o publico que não o conhecia muito bem e não sabia o que esperar. Parte do mérito se deu pelo carisma do protagonista, Robert Downey Jr., que encarnou um Tony Stark egocêntrico e playboy que cativou o publico e garantiu o caminho para o Universo Cinematográfico da Marvel que conhecemos hoje.

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Porém, Downey ficou de fora. Os produtores da Marvel não o queriam como o personagem, devido a problemas que o ator teve no passado com abuso de drogas e álcool, tendo até sido preso e mandado para reabilitação. No entanto, Jon Favreau – que foi diretor, produtor e atuou como o guarda-costas e amigo de Tony, Happy Hogan – brigou para que Downey ficasse com o papel por considerá-lo perfeito e se encaixar com a personalidade que Tony Stark precisava. E ele estava mais do que certo.

 

O Cinema Pós Marvel

A Marvel realizou algo sem precedentes para o cinema blockbuster, pois uma nova era de super-heróis se iniciou após o grande sucesso do bem-sucedido Os Vingadores. Assim, a Marvel contribuiu para a democratização do cinema, atraindo um novo público para as salas de cinema que foram lotando a cada ano, inspirando novos estúdios a explorar a gama de super-heróis, dando aos fãs várias adaptações dos quadrinhos, algumas muito boas, outras nem tanto. Além disso, todos os estúdios queriam surfar na onda do universo compartilhado nos filmes, interligando filmes com personagens distintos, como a Warner com os filmes da DC Comics e a Legendary Pictures com Godzilla e Kong.

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Algumas produções foram bem recebidas, já outras é motivo de discussão até hoje. Mas, o fato é que a Marvel soube como ninguém a construir um universo coeso e que conversa com o público, atraindo fãs do mundo inteiro para apreciar obras audiovisuais empolgantes e divertidas.

 

Texto por Hellen F.

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