Dom Casmurro

É um romance escrito por Machado de Assis no ano de 1899. O personagem principal se chama Bentinho, mas o ator lhe dá o nome de Dom Casmurro, por ele ser tão triste e rancoroso e Dom pela sua imponência e olhar de nobreza. O romance começa contando sua história de quando criança, assediado pelos pais para se formar Padre num seminário. Contrariado, pois na sua adolescência tinha já uma grande paixão que era uma menina chamada Capitulina ou Capitu, insistia principalmente para sua mão para não ir ao seminário. Quando ambos deram o primeiro beijo, tinham por volta de 14 anos.

A história é narrada em 1ª pessoa por Bento de Albuquerque Santiago, um advogado carioca de 54 anos, contando sua trajetória, desde quando sua mãe fez promessa para que seu filho fosse Padre, ainda dentro do seu ventre. Passando pela adolescência, o namoro com Capitu e a ida forçada para o seminário, o narrador conhece o que seria por muito tempo o seu melhor amigo: Ezequiel de Souza Escobar.

Mais tarde, Bentinho larga o seminário e vai estudar direito em São Paulo. O amigo Ezequiel torna-se um comerciante bem sucedido e casa-se com a melhor amiga de Capitu. Tempo depois Escobar teve uma filha que chamou de Capitu. Depois de se formar em direito, Bentinho casa-se com Capitu, mas por algum tempo não conseguiram ter um filho.

Meses depois eles conseguiram ter um filho e batizaram com o nome de Ezequiel, o primeiro nome de Escobar. Anos depois, quando Ezequiel ficou grande, bentinho começou a ficar confuso ao reparar que a foto de seu amigo Escobar parecia-se com seu filho. Tamanho foi o ciúmes que Bentinho pensou em envenená-lo, mas não teve coragem. Logo o narrador começa a desconfiar que seu melhor amigo e Capitu o traíam às escondidas. Dom Casmurro também passa a duvidar de sua própria paternidade.

Após inúmeras discussões, o casal decide separar-se. Arruma-se uma viagem para a Europa com o intuito de encobrir a nova situação, que levantaria muita polêmica. O protagonista retorna sozinho ao Brasil e se torna, pouco a pouco, o amargo Dom Casmurro. Capitu morre no exterior e Ezequiel tenta reatar relações com ele, mas a semelhança extrema com Escobar faz com que Bento Santiago o rejeite novamente. O destino de Ezequiel é infeliz: ele morre de febre tifóide durante uma pesquisa arqueológica em Jerusalém.

Com Dom Casmurro, Machado continua com o estilo que vinha desenvolvendo desde Memórias Póstumas de Brás Cubas, numa linguagem altamente culta, impregnada de vastas referências, mas informal, em tom de conversa com o leitor, praticamente pró-modernista. Contudo, aqui ele também utiliza traços que retomam ao Romantismo. De fato, o livro possui um estilo muito próximo ao do impressionismo, onde existe uma ruptura com a narrativa linear, de modo que as ações não seguem um fio lógico ou cronológico, mas que são relatadas conforme surgem na memória e na vontade de Bento Santiago.

A crítica moderna também atribui a Dom Casmurro ideias e conceitos que seriam posteriormente desenvolvidos por Sigmund Freud e seus projetos de psicanálise. O livro de Machado é publicado no mesmo ano que sua Interpretação dos Sonhos, e Dom Casmurro já escrevia frases como “Penso que lhe senti o sabor da felicidade no leite que me deu a mamar”, alusão àquilo que Freud veio chamar de fase oral na psicanálise, em relação à boca-seio, no que alguns chamam de “premonição freudiana”.

Por Wendell E. Santos

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