Um pouco da História do RPG

O RPG surgiu em 1974 como um jogo em que os participantes criavam suas próprias histórias. Inicialmente somente com histórias medievais o professor universitário M.A.R. Barker, foi o primeiro autor de um jogo chamado “Masmorras e Dragões”. Pouco tempo depois foi lançado um outro jogo de nome “Império do Trono da Pétala”, onde o autor abandonou os clichês medievais para criar um mundo completamente diferente, onde habitavam dezenas de raças bizarras que se inspiravam em lendas astecas, egípicias e de outros povos da antiguidade. Um mundo que chegava a ter até uma linguagem diferente.

O nome vem da expressão Role Playing Game, em português: “Jogo de Interpretação de Papéis” ou “Jogo de Representação”. É um tipo de jogo em que os jogadores assumem papéis de personagens e criam narrativas colaborativamente. O progresso de um jogo se dá de acordo com um sistema de regras predeterminado, dentro das quais os jogadores podem improvisar livremente. As escolhas dos jogadores determinam a direção que o jogo irá tomar.

Como no teatro, cada personagem tem uma história, e deve ser interpretado assim como fazem os atores. Diferente de um jogo de estratégia, você não luta contra um adversário específico, mas vive aventuras em um mundo imaginário. Diferente do teatro, você não segue um roteiro, mas age pelo seu personagem com liberdade de ação, limitado somente pelo conjunto de regras do sistema em questão.

Um grupo de RPG pode ter de duas a dez pessoas, às vezes mais. Existem dois tipos básicos de participantes muito bem definidos: O primeiro tipo é o jogador personagem, normalmente chamado apenas de “Player”. Ele é quem cria um personagem fictício, seguindo as regras do sistema escolhido por seu grupo, e controlará esse mesmo personagem pelas aventuras do jogo.

M.A.R. Barker

O segundo tipo de jogador é o narrador (Game Master). Será ele quem criará a história e julgará as ações de todos os personagens do jogo. Ele atua como o Diretor e roteirista, aquele que define o cenário, figurantes, ambiente e tudo mais. Por isso mesmo, o narrador é aquele que deve conhecer as regras mais profundamente, e deve ser o mais experiente do grupo, normalmente seguindo um sistema de regras pré-determinado que o ajudará com os eventuais problemas e dúvidas que venham a surgir.

Cada sessão de RPG pode ser chamada de uma aventura. Uma sucessão de aventuras onde se usam os mesmos personagens mantendo a continuidade dos eventos torna-se uma “campanha”. Cada jogador cria o seu personagem baseado no mundo e em suas regras preestabelecidas, que o narrador/mestre determinou, e viverá nele as suas aventuras. Ao término de cada aventura, o personagem recebe pontos de “experiência”, que representam o seu aprendizado. Estes pontos podem tornar o personagem mais forte, dando-lhe mais vantagens e habilidades. É por esse motivo que os mesmos personagens costumam ser usados em campanhas – uma vez que a progressão do personagem é evidente, diferente de várias aventuras isoladas em que cada personagem precisa ser feito do zero.

Existem muitos tipos diferentes de RPGs, e cada um possui as suas próprias regras. De forma geral, quando um jogador decide fazer alguma coisa, o narrador decide e narra para ele o resultado. Quando é uma ação complicada e/ou com grande chance de erro (como pular grande distância ou fazer uma acrobacia), o narrador pode exigir um teste, que é feito com uma jogada de dados. Nos anos 80 surgiram muitas variantes do RPG, com gêneros e sistemas alternativos. Por exemplo: Super Heróis com sistemas de pontuação, que davam graduação aos guerreiros; terror e misticismo ( com personagens vampiros ); Cyber punks e ficção científica baseado na história Star Wars. Hoje existe milhares de variantes de histórias.

O século XXI, entretanto trouxe muitas mudanças para os jogos e consequentemente ao RPG. Jogar RPG de mesa não precisa mais ser uma atividade que exige a presença física dos participantes. Com o advento da internet, podemos experimentar a possibilidade de jogar com amigos espalhados pelo país ou mesmo pelo mundo. Até já existe um sistema de gerenciamento online bem legal para isso, chamado de Roll20.

Por Wendell E. Santos

Deixe uma resposta