Breve História do Teatro

Quando perguntados se fomos ao teatro, imaginamos as grandes peças de atores famosos, onde os preços geralmente estão inacessíveis para a grande população. Nem imaginamos que o teatro era um culto em homenagem ao Deus Baco, lá na Grécia antiga, há 1600 anos antes de Cristo. Pois é isso mesmo. Na primavera, quando colhiam a uvas, geralmente a safra era boa pelo clima da época, faziam vinhos e preparavam recitações.

Ao longo do tempo as pessoas começaram a usar máscaras para representar o imaginário do cotidiano da vida dos deuses. À principio os mais conservadores não queriam, pois os Deuses eram realmente intocáveis, mas um grego chamado Tespis foi o primeiro a usá-las para representa-los. O motivo alegado para o uso de máscaras foi que as mulheres não podiam atuar, pois não eram consideradas cidadãs.

Formaram-se então duas modalidades de interpretação: A tragédia e a comédia. A primeira sempre terminava com a morte do personagem herói e a segunda, visavam o riso e a descontração dos espectadores, com formas divertidas e irônicas de perceber a vida, chamada Sátiras.

Ao longo da Idade Média, em alguns países europeus, algumas igrejas permitiram que o teatro encenasse passagens bíblicas, mas logo foi proibido pelos Papas, com o receio de que as missas perdessem seu caráter religioso. Foram para as praças onde surgiram as peças de críticas sociais, chamadas Bufas. Nesse terreno fértil, surgem os Saltimbancos, que eram grupos de atores que iam de cidade em cidade apresentar seus espetáculos.

A partir do século XVIII o teatro já tinha se modernizado, surgindo variantes da tragédia, como o Drama e o Melodrama. Mas o público também tinha se modificado, pois a Burguesia, classe que começou a dominar os setores sociais, fez do teatro um espetáculo para poucos, criando grandes salas de apresentações e ingressos que propositalmente não permitiam a entrada da classe trabalhadora.

Porém, no século XX, o teatro se popularizou novamente, tornando objeto de crítica social e política. Um dos teatrólogos mais importantes desse século foi Bertolt Brecht, um importante pensador socialista, que entre as principais obras estão “Os Tambores da Noite”, a “Ópera dos Três Vinténs”, “A Mãe”, “Homem por Homem”, “Mahagonny”, “Happy End”, “Santa Joana dos Matadouros”, entre várias outras peças.

Na segunda metade do século XX surgiu a televisão, mas isso não deixou o teatro acabar. Até hoje, com o advento da internet, dos smartphones e das transmissões ao vivo via Facebook, o Teatro continua sendo principal objeto de bem estar intelectual e arte glamorosa. Curiosidade: No teatro antigo (e este uso estende-se ainda nos dias de hoje), merda era utilizada na linguagem entre artistas de teatro para desejar boa-sorte antes da entrada em cena. A expressão nasceu da língua francesa, merde, provavelmente no século XIX ou século XX, pelo fato de o público ter acesso à casa teatral por meio de carruagens a cavalos que, muitas vezes, amontoavam fezes em suas entradas; com ironia, a expressão correlacionava o fato de haver “muita merda” na entrada do teatro ao desejo de se ter também “muita sorte” em cena.

 

Por Wendell E. Santos

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