Blues

O Blues, é um estilo de música, que nasceu nos Estados Unidos, precisamente em Alabama, Mississipi, Luisiana e Georgia, onde os escravos mostravam no estilo de som e letras, o sofrimento que passaram durante a escravidão. Quase sempre com acordes repetidos e muito balanço, foi sensual e vigoroso para a época. Enfim, nasceu como uma maneira de expressão da população negra afro-americana. Uma forma de desabafar a dor e o sofrimento dos escravos, principalmente os das plantações de algodão, na qual sofriam ainda mais.

Logo no início, os Senhores dos escravos proibiram o uso de instrumentos, pois tinham medo de servirem de algum modo como um meio de comunicação que pudesse provocar uma revolta. Mas usando a criatividade, improvisaram e criaram seus próprios instrumentos. Uma tábua de lavar roupa se transformou em uma percussão, enquanto uma caixa vazia de charutos recebia uma estaca de madeira e um fio de arame e se transformava numa guitarra arcaica e assim por diante.

E assim foi a história carregando as marcas do sofrimento e sua materialização em forma de música, até que no início do século XX em 1903, um músico chamado William Christopher Handy, ao aguardar um trem na cidade de Tutwiler em Mississipi, viu um negro tocando violão, cantando e fazendo algo inusitado com o violão. Ele passava um canivete nas cordas para fazer um efeito de Slide. Aquilo chamou tanto a sua intenção que ele criou uma música valendo dessa mesma essência no ano de 1912. Essa nova composição musical, marcou a chegada do Blues ao mundo. Dois anos depois, essa música foi registrada com o nome de “St. Louis Blues”.

Com a chegada da década de 1920 e o início da migração dos negros do Sul para o Norte dos Estados Unidos, essa cultura se tornou mais popular. Nessa época, um outro acontecimento marcou a trajetória do estilo com a gravação da música Crazy, gravada pela cantora Mamie Smith. Essa foi a primeira música gravada em disco. E o primeiro Hit a alegar a sociedade do Norte, que era branca e puritana. Foi um período de efervescência, onde os negros se reuniam em galpões e garagens, para dançar e beber álcool, que na época era proibido.

Mas foi finalmente nos anos 30, que o Blues saiu dos EUA e disseminou-se para o resto do planeta. E o responsável por isso foi o músico e gaitista Robert Johnson, que no início era tímido e apenas tentava se acomodar no meio dos músicos mais experientes. Mas com o amadurecimento, Johnson revolucionou o Blues ao padroniza-lo em 3 acordes e 12 compassos, tornando o Blues tal como o conhecemos hoje. Ele então demonstrou seu novo estilo inédito e logo foi convidado a gravar. Em duas sessões de gravação, criou as 29 músicas que moldaram o Blues moderno.

Robert  Johnson

Nos anos 1940, surgem as primeiras bandas de Blues. Tais eram: Sonny Boy Williamson e Big Bill Broonzy. E em 1942, com o uso da guitarra elétrica, surgiu o lendário guitarrista T-Bone Walker, baseado no improviso e trazendo o Blues para junto do Jazz. Outras lendas foram surgindo como Muddy Waters, que foi o primeiro músico negro a ficar famoso na Inglaterra. Tanto que a Banda Rolling Stones teve o seu nome tirado de uma canção de Muddy Waters que carregava esse mesmo nome. E finalmente B. B. King, com seu estilo inigualável e talento majestoso de sua guitarra, dando praticamente uma voz a ela. O que os músicos conhecem como Vibrato.

Muddy Waters

Enfim, durante décadas, o Blues foi aperfeiçoado e como mencionado no começo do texto, surgiu várias ramificações, que o tornaram ainda mais excelente. De forma de alivio dos escravos até ao ponto de ápice, que foi o surgimento de B B King, o Blues, na virada desse século, ainda guarda a tradição da sua vanguarda. De Eric ( o eterno ) a Bonomassa, que é conhecido como o guitarrista que nunca dorme, um “Workaholic”, que emenda turnês e sessões de estúdio sem férias, o Blues se torna ainda mais refinado a cada ano que passa.

Por Wendell E. Santos

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